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Contra a Violência Policial

CONTRA A VIOLÊNCIA

ao constatar a violência policial que pessoas sofrem de forma quotidiana, perguntamos: para que serve, afinal, a polícia? talvez a melhor pergunta seja, a quem serve a policia? ou porque é que a polícia é violenta para com a população que, nos dizem, deveria proteger?

historicamente, as forças de segurança foram criadas para garantir o monopólio da violência por parte do estado. sim! elas foram criadas; não são um dado natural. lá pelo século XVII, não há tanto tempo assim. a polícia serviu para “apaziguar” as massas populares; para dissuadir os rebeldes; para instaurar uma ordem. e porque é que os rebeldes, se rebelam?

é claro, entretanto ganharam outras funções e até nos fazem acreditar que são quem defende as mulheres da violência doméstica, mas lembramos! morreram 22 só este ano. onde estava a polícia? a prioridade da polícia sempre foi e será a proteção da propriedade privada, que acaba a ser mais valiosa que a própria vida!

também será pertinente perguntar, onde começa a violência?

a violência começa na preservação de uma paz que não nos serve. não nos serve essa paz porque a violência está latente no índice de desigualdade. Portugal é o quinto país mais desigual da Europa. a violência está na desigualdade de oportunidades e perpetua-se na divisão do trabalho. a violência existe na segregação dos espaços. porque não há direito à cidade! porque é que determinado tipo de corpos e vivências estão circunscritos a determinado tipo de espaços e funções? a violência existe na indiferença dos que testemunham, dos que sabem, dos que calam! a violência está na invisibilização, onde o sistema prisional incorpora o expoente máximo, erguendo altas paredes e negando às reclusas a sua humanidade quotidiana. a violência existe na sua forma mais brutal nos corpos periféricos, em corpos negros!

não há qualquer razão que possa justificar o espancamento do nosso companheiro. não há nada, mas nada! que ele possa ter feito, que justifique o exercício da violência sobre o seu corpo. dizem que o estado nos protege. pergunto mais uma vez, protege a quem? serve a quem? no mesmo dia da sua agressão, é divulgada uma investigação que denuncia a presença da extrema-direita, de opiniões racistas e xenófobas dentro das forças policiais portuguesas. quem nos vai defender da policia? pergunto. quem protegeu os seis jovens negros, residentes da Cova da Moura, das agressões e sequestro dos polícias da Esquadra de Alfragide em 2015? quem defendeu Cláudia Simões em 2020, espancada e esmagada por não ter o passe da sua filha? quem salvou Ihor Homenyuk do seu assassinato cometido pelo SEF? quem defendeu os imigrantes de Odemira da perseguição e tortura da GNR em 2021? quem salvou Daniel Rodrigues, Danijoy Pontes, mortos em 2021, e Miguel Cesteiro em 2022? os três mortos dentro da prisão! nas mãos do estado! Em cinco anos, 303 foi o número de mortes nas prisões portuguesas. a polícia judiciária só investigou 6! seis de 303!

Foi em 2018 que o Comité Europeu para a Prevenção da Tortura identificou as condições degradantes e a discriminação racial presente no sistema prisional português. Quais foram as medidas tomadas pelo estado para resolver esta situação? E o que vai fazer agora o estado, com a informação – agora formal, porque nós já sabíamos! – sobre a presença da extrema-direita na policia?

​​​​​​​sabemos o que acontece nas ruas e nas prisões do estado! estamos juntas com as pessoas agredidas! não vamos esquecer, nem perdoar!