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Carta sobre a escravidão numa prisão feminina…

 

Oi …,

Vim relatar a escravidão que as trabalhadoras passam na Polismar. A Polismar é uma empresa de plásticos industriais, que tem trabalho em vários E.P’S, femininos e masculinos. Aqui, trabalhamos de segunda a sexta, das 09hrs às 11:45hrs, e das 14:15hrs às 17hrs. Trabalhamos muito, fazendo escolha e montagem de peças, para ganhar no final do mês mais ou menos 50 euros. Não temos condições de trabalho! A responsável da Polismar não deixa ligar os ventiladores, reclama de irmos a casa de banho, grita e nos humilha, e sempre nos ameaça alegando que cortará o nosso prêmio e que irá demitir todas. E quando nos cortamos (usamos faca no trabalho), não tem penso nem nada. Porém, na cadeia dos homens é bem diferente. No E.P. Sintra, o ordenado é mais ou menos 150 euros por mês, tem condições dignas de trabalho e sem ameaças. Nós, mulheres, somos esquecidas e desvalorizadas, em comparação aos homens. Eu trabalho lá há …meses, e só não saí ainda, pois manchará meu percurso prisional e relatório social, porque para o sistema esse absurdo é “reinserção social.” Minha liberdade vale tudo, até passar por essa escravidão! É fudido! Mas o sistema é assim, e se não “concordarmos” com o sistema, nunca se vai embora desse inferno.