Saltar para o conteúdo

Sou mulher
Sou o começo
Sou a vida dentro da própria vida
E quero e prezo o respirar se não o tomo
arrancando as raízes profundas da marmeleira
Estou no início de toda a criação
Sou mãe, preta
Sou neta
Sou primeira e última
Sou mulher
ventos através dos mundos
escuto detrás das grades e muros
Sou mestiça, tenho brasão, moro na vila
Sou energia que passa entre as mãos
Sou a alegria de um continente e vale que obedece o sopro dos ventos
Sou o erro, o acerto inesperado
Sou a voz calada que fala as cordas do violino
Sou uma história contada em mil línguas distintas
Sou o dialeto que fala os anjos
Sou a tradução de um grito que vem do submundo
Sou a folha verde amadurecendo da fruta e a semente germinando
Sou toda a terra
o dia amanhecendo e morrendo no outro hemisfério
Sou dona do mundo, criado pelas minhas mãos e serei o próprio fim!
Texto escrito entregrades por mulheres sequestradas pelo estado português