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Liberdade
Sou apenas uma mulher.
Uma mulher pequenina, dentro de uma prisão em Portugal.
Vejo as grades e não as compreendo.
Sei apenas que é noite porque vejo escurecer, vi que amanheceu porque as agentes prisionais abriram as portas.
Como poderia compreender-te Liberdade?
É muito difícil.
Passo a mão na minha cabeça que vai embranquecendo, o rosto denúncia esta experiência, a mão escreveu tanto, a boca gritou demasiado, os olhos lagrimejaram e calam-se ai Liberdade só suspiro, suspiro brando e angustiante só quem tá aqui sabe o que acontece.
Lembro algumas mulheres que me acompanhavam e hoje já não acompanha mais, pois não puderam ter a Liberdade a não ser a Liberdade eterna, pois a prisão lhes tirou o bem mais precioso a vida.
Meus passos urgentes ressoam no corredor ressoam em mim, pisada por todos, como sorrir, como pedir que sejamos felizes? Sou apenas uma mulher pequenina na prisão suplicando pela Liberdade…
De autoria de (…) Feito dentro da prisão!
Eu grito Liberdade dentro de mim porque sou mãe filha, mulher num mundo ainda machista cheio de ódio e preconceito.
Num mundo onde já nascemos doentes psicologicamente, da guerra, da fome da pobreza e da falta de oportunidade onde só os fortes sobrevivem. Eu sou (…) uma reclusa que nunca me calarei pelo horror que passo aqui na prisão.
Espero que meu grito cheguei um dia mesmo que aqui não esteja mais.