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Não há prisões num paraíso queer

As prisões não são nem nunca serão espaços livres de violência em todas as suas formas. Por mais leis que tentem garantir direitos às pessoas presas estes são sempre instrumentalizados e subvertidos pela lógica carcerária do castigo heteropatriarcal e racista.

Tal como nos demonstra a recusa das guardas em Tires para cumprir com o desnudamento e revista corporal a uma mulher trans. Além destas medidas constituírem uma das formas de violência que se vive nas prisões, a recusa por parte das guardas poderia implicar a aplicação desta medida por parte de homens guardas e/ou o encarceramento desta mulher no hospital prisional ou em cela disciplinar, como tem sido prática no sistema prisional português relativamente às pessoas trans.

E ainda acresce a esta sucessão de violências a forma discriminatória e punitivista como os media noticiaram esta situação ao revelarem uma foto da mulher trans presa preventivamente e o crime pelo qual está acusada. O que constitui uma violação dos seus direitos ao sigilo sobre a acusação criminal e proteção da identidade e coloca em risco a sua segurança dentro e fora da prisão.